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Resenha | Batman Nº 25 (Abril Jovem – 3ª série)

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Falou de vilão do Batman, falou de Coringa. Pelo menos é assim que funciona, no imaginário popular. Assim, por melhor que seja uma grande história do Charada ou do Pinguim, as pessoas sempre acharão que uma história banal do Palhaço do Crime sempre será mais interessante – o peso da fama. Munidos deste desafio, o roteirista Alan Grant e o desenhista Norm Breyfogle criaram em 92 um grande conto de horror juvenil do Espantalho, construindo aqui uma grande influência criativa para tudo o que acontece no clímax de Batman Begins, o filme de 2005. Se o Batman é o guardião da sanidade, e da coragem, o Espantalho é o puro medo que faria até o Coringa chorar, encolhido no chão, imaginando aranhas subindo pelos seus membros.

Sua toxina é implacável, e o vilão sempre dá um jeito de escapar do asilo Arkham e ganhar de assalto as ruas, já violentas e sombrias de Gotham City. Mas nunca o Espantalho foi tão sórdido e maníaco quanto Nas Garras do Pavor, atacando Gotham na véspera de natal, e subvertendo as comemorações pelas alucinações de seu gás do terror. E não demora para o caos se instalar, a polícia fica desesperada, e cabe ao Cavaleiro das Trevas esquecer a ceia de natal, e lutar contra o crime. Sozinho, e sem a ajuda do Robin para não colocar a vida do menino em risco. Mas o Espantalho prova, ao infectar Gotham de todo jeito, que não está para brincadeira, e que às vezes é bom contar com uma “luz extra” quando se está perdido nas sombras.

É curioso notar como os gibis mensais da DC e Marvel, com suas histórias rápidas, e uma ou outra reviravolta, ficaram mais “soltinhos” nos anos 90, logo após a revolução adulta dos anos 80. Mesmo voltado para crianças e adolescentes, as HQ’s começaram a flertar com temas policiais, e a ingenuidade de antes realmente se perdeu. Bom para as histórias do Batman, sombrias por natureza, e que agora podiam contar com uma violência 1% mais pesada, enfatizadas por sequências de pesadelo bem alucinógenas, e uma linguagem mais informal, e moderna. Publicada em nº 25 da terceira série de revistas mensais do Batman da Editora Abril, Nas Garras do Medo ainda explora o lado detetivesco, maduro e consequente de Tim Drake, o terceiro Robin, e um Batman mais impulsivo do que de costume. Um bom equilíbrio de personalidades numa história cheia de perigos, cativante e colorida como se pede.

Douglas Olive

Cinéfilo formado em publicidade e iniciante com "Os Aristogatas", que assistia 5 vezes por dia na infância, e que agora começa a querer fazer seus próprios filmes. Devo estar indo longe demais.
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