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É Tudo Verdade 2021 | Balanço Geral – Parte 2

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Prosseguindo em nosso balanço do É Tudo Verdade 2021 (leia sobre a Parte 1 aqui), falamos agora de alguns dos filmes que passaram na plataforma Sesc Digital, outros das mostras competitivas e um pouco dos premiados.  Na competição internacional, o a coprodução Dinamarca, Estados Unidos e Noruega Presidente venceu como melhor longa-metragem.  Já Os Arrependidos ganhou o prêmio de Melhor Longa Nacional. Da parte dos curtas, A Montanha Lembra (Argentina, México) venceu,  e o filme nacional premiado foi Yaõkwa: Imagem e Memória, que também levou o prêmio do Canal Brasil. O júri também fez menções honrosas aos filmes Vicenta, Ser Feliz no Vão e Máquina do Desejo: Os 60 Anos do Teatro Oficina.

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2020 (Hernán Zin, 2020)

Filme espanhol sobre o começo da pandemia de Covid-19, impressiona mais pelo fato da equipe de filmagem conseguir ficar tanto tempo no hospital (quatro meses praticamente ininterruptos) do que pelos fatos expostos, uma vez que o noticiário espanhol foi bastante debatido pela imprensa alternativa no Brasil e no mundo. Zin registrou todos os ângulos possíveis do impacto que o novo coronavírus causou na Espanha, mostrando até o destinos dos pets cujos donos morreram de Covid.

Alvorada (Anna Muylaert e Lô Politi, 2020)

Mais um filme a respeito do impeachment de Dilma Rousseff. O projeto de Muylaert e Politi tem alguns bons momentos, mas no geral, repete o que Democracia em Vertigem e O Processo já haviam feito antes, com a diferença de dar mais lastro para a classe C, que trabalhava no Palácio da Alvorada durante esse julgamento político.

O Monopólio da Violência (David Dufresne, 2o2o)

Esse esteve na Quinzena de realizadores de Cannes, e é um bom sinal de como funcionam os protestos populares na França. Dufresne reúne em seu filme algumas filmagens em primeira pessoa, de ações estúpidas e violentas da polícia francesa. Há debates acalorados, ações enérgicas e físicas contra o patrimônio público e outras ações mais violentas do povo contra a repressão das autoridades. Diretor e filme não tem receio em retratar a repressão como ela é, algo vil, mesquinho e que só pode ser retribuído com a mesma truculência imposta.

MLK/FBI (Sam Pollard, 2020)

Filme denúncia, aborda a desonesta abordagem do FBI ao reverendo e ativista Marthin Luther King. O filme do documentarista que fez The Talk: Race in America mostra o quão retrógradas podem ser as autoridades de um país e o quanto não há escrúpulos no procedimento de denegrir a moral de uma pessoa.

História de um Olhar (Mariana Otero, 2020)

Mariana Otero vai até o Camboja e demais países onde o fotojornalista Gilles Caron trabalhou. Caron era um fotojornalista famoso, que estava no auge de sua fama e trabalho, desapareceu no país asiático quando tinha 30 anos, sem deixar rastros ou vestígios e o documentário busca dar uma luz sobre esse estranho acontecimento e faz isso passando também pelas lindas imagens registradas por suas lentes, e claro, pelas denúncias humanitárias que ele fazia.

A Última Floresta (Luiz Bolognesi, 2020)

Selecionado para Berlinale, popular festival de cinema na Alemanha, esse é outro longa de Luiz Bolognesi que mistura elementos reais com ficção, e que usa o cenário indígena brasileiro como fundo da história, como foi também com Ex-Pajé, de 2018. Esse conta a historia de um xamã Yanomani que tenta manter as tradições de seu povo vivas, e o faz através de contos narrados com as imagens da câmera de Bolognesi. O filme é pretensioso entrega bem menos do que promete, e essa tem sido um tônica de Bolognesi enquanto realizador..

Leonie, Atriz e Espiã (Annette Apon, 2020)

Produção holandesa, o documentário trata da atriz Leonie Brandt, nascida em 1901 e falecida em 78, que depois do sucesso nos cinemas, se tornou espiã do serviço de inteligência holandês na Alemanha nazista. Apon inteligentemente usa cenas da própria artista em tela para exemplificar como foram os anos dela enquanto infiltrada no cenário fascista. O filme lida bem o duvidoso e com os mistério tradicionais da vida dela.

Colectiv (Alexander Nanau, 2019)

Colectiv concorre ao Oscar na categoria Melhor Filme em língua estrangeira, a co-produção da Romênia e Luxemburgo, fala a respeito da boate de Bucareste Colectiv, que em um incêndio, matou 27 pessoas e feriou outras 180, inclusive com mortes no hospital oriundas desse incidente. O caso ocasionou um vazamento de informação, de um médico para jornalistas e é descoberta uma fraude no sistema de saúde, Nanau então acessa os bastidores do modo de lidar com a saúde e com a corrupção da Romênia. Filme incisivo e certeiro.

Zappa (Alex Winter, 2020)

Zappa é um mergulho íntimo na vida e obra do icônico Frank Zappa. Winter, mais conhecido por ter sido dupla de Keanu Reeves nos filmes de Bill e Ted consegue passar por toda a carreira do compositor, interprete e musicista, sem soar raso ou piegas. O filme é íntimo e forte, uma ótima porta de entrada para o fã da arte que não conhece nada a respeito de Frank Zappa.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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