Cinema

Crítica | O Lobo Solitário III: Contra os Ventos da Morte

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Terceira parte das aventuras de Iggo Ottami, O Lobo Solitario III: Contra os Ventos da Morte começa de forma pacata, com o ronin vivido por Tomisaburo Wakayama e seu filho Daigoro entrando em um pequeno barco quando são emboscados por assassinos. A tradição segue de começar com uma ação violenta qualquer e estabelecer o espectador nesse clima de que em qualquer momento o herói da jornada pode perecer.

Os filmes baseados nos mangás de Kazuo Koike e Goseki Kojima mostram muitas das técnicas reais que os samurais praticavam, e nesse ponto, o diretor Kenji Misumi acerta demais. A violência é bem explícita, assim como os assassinatos a sangue frio que ocorrem no Japão, terra que parece regada pelo sangue oriunda das espadas dos shogunatos.

Esse terceiro filme é até então o mais contemplativo da hexalogia. Boa parte da história reside em mostrar a fibra de Otami ao lidar com questões de desonra. Ele chega ao cúmulo de se deixar torturar, e sem fazer um pio, para provar seu ponto e proteger uma pessoa que ele julga inocente.

As lutas contra o clã Yagyu continuam, dessa vez envolvendo ainda mais gente: inimigos de todo tipo, arqueiros, artilheiros, e claro, espadachins. Algumas batalhas beiram o sensacional, seja pela inventividade do personagem e pelo seu preparo na defesa, seja pelos métodos que Misumi emprega ao filmar o combate, não só com os super closes retirados dos clássicos em preto e branco de Akira Kurosawa, como nos Westerns Spaghetti que se inspiraram em Kurosawa, como Sergio Leone e Sergio Corbucci. É curioso como o diretor usa a câmera para emular o olhar do guerreiro em primeira pessoa, chegando a imitar os olhos de um atirador que cerca o herói enquanto cavalga.

O desenrolar de O Lobo Solitário III: Contra Os Ventos da Morte tem um caráter bastante episódico, como se cada um desses filmes fizessem parte de uma grande série exibida nos cinemas. A entrega de Wakayama impressiona, pois mesmo quando os roteiros não primam por criatividade, ele compensa em carisma e familiaridade com seu personagem, cada vez mais sua persona e a de Ogami se confundem e isso dá mais chancela e legitimidade para a história épica que estão contando.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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