Cinema

Crítica | Tom e Jerry: O Filme (1992)

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Nos anos noventa muitas produções baseadas em desenhos animados invadiram o cinema, algumas elogiadas como Os Flintstones de Brian Levant, e outras nem tanto. Em meio a elas, estreou em 1992 a versão Tom e Jerry: O Filme. Dirigido pelo produtor Phil Roman, o mesmo que fazia shows antigos de Charlie Brown e Garfield, o longa mais uma vez coloca a rivalidade de gato e rato, dublados por Richard Kind (Tom) e Dana Hill (Jerry), a prova. O filme é todo animado, não tem elementos de live action como o recente Tom e Jerry de Tim Story lançado no serviço da HBO Max e nos cinemas. Tem um humor característico, que condiz bem com os desenhos clássicos da dupla.

Uma sábia escolha aqui foi a de atualizar clichês dos curta como o uso de música instrumental, que no caso da série antiga era com música clássica de Wagner, Bethoven e afins. Aqui a música é de Henry Mancini, lembra elementos de jazz, com metais,  e instrumentos de corda estabelecendo a urgência nas contumazes brigas dos dois personagens centrais.

A trama é simples, dá conta de uma mudança de residência dos donos do animal de estimação e da tentativa do ratinho de seguir junto com eles na mudança. Nesse meio tempo, obviamente algo dá errado e os dois tem que correr atrás do caminhão de mudança. Aos poucos a narrativa ganha tons épicos, quando o gato descobre que a antiga casa seria demolida, e ali se nota uma camaradagem entre eles, mesmo com os dois sendo inimigos tradicionais.

Exigir que um filme, voltado para crianças ou não, tenha mensagens bonitas e edificantes é evidentemente um exercício piegas do consumo e apreciação da arte. Mas claramentec essa é uma tônica que estúdios e espectadores buscam em seus filmes e séries,  principalmente os infantis. Fato é que esta versão do personagens tem essa tônica aflorada e explora isso de maneira criativa e divertida, com números musicais ao estilo Broadway que incrivelmente retratam realidades urbanas, do gueto, de gente carente e abandonada pelo Estado, através dos animais de rua que acompanham Tom em busca de sua casa.

A qualidade da animação, do texto e das músicas tornam essa produção uma pérola esquecida que merecia uma remasterização mais caprichada, valorando as imagens que aparecem em tela. Em alguns momentos, ela parece uma produção feita diretamente para a TV, simplesmente não condiz com os outros aspectos positivos da obra. Tom e Jerry: O Filme une bem as novas tramas humanas com as atitudes típicas dos personagens-título que, inclusive, retornam ao status de rivalidade que os fizeram famosos, como em um grande, divertido e típico capítulo das antigas séries.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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