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Resenha | Batman Extra N° 11: Terapia Mortal

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Hipnose, e piromania. Quantas vezes podemos nos dar ao luxo de ver esses temas tratados, num gibi mensal do Batman? Em Terapia Mortal, publicado em Batman Extra nº 11 da Editora Panini, Batman ainda está no começo do trabalho, e o jovem Bruce Wayne ainda está perdido, entendendo o que é ser o Cavaleiro das Trevas. A morte de seus pais ainda é muito recente, mas o mundo não tem dó, e o clima em Gotham já começa a sentir a influência do justiceiro. Cada vez mais, jovens alienados começam a se vestir de preto pra fazer justiça, e os Lordes do crime estudam a situação, com cuidado. E tudo seria bem mais simples, se apenas no submundo houvesse problemas: sem os Wayne pra comandar as empresas da família, os “lobos de wall street” dentro da companhia fazem de tudo agora para prejudicar o herdeiro, e tirar os privilégios do “jovem órfão”.

Evitando o drama, e caindo de boca na ação e sua dinâmica, totalmente voltada para adolescentes com déficit de atenção (e quem não é assim, na era do Instagram?), Terapia Mortal explora a paranoia que existe sobre aquele cujo mundo virou as costas, e todos conspiram por sua queda. Aqui, Bruce Wayne é atacado por crianças que, misteriosamente, se unem para atear fogo em prédios públicos, enquanto os novos dirigentes das empresas Wayne querem tirá-lo da jogada, a qualquer custo. Mas Bruce ainda é um moleque aqui, e Alfred é o único que lhe mostra piedade, e amor, numa selva de pedra chamada Gotham City em que ninguém está a salvo, até que Bruce é finalmente pego e trancado no Arkham, condenado a escapar por conta própria. Talvez porque as ovelhas acham que os lobos terão pena delas.

Mas eles nunca terão. Trancafiado no Arkham, Bruce entende que é prisioneiro de sua própria imaturidade, lidando com traidores de toda sorte que, justamente por isso, o fazem aprender a ser um homem responsável. A dor e o medo ensinam demais, e são elas que fazem Bruce fortalecer o seu Batman interior, através desses fatores “terapêuticos” que o destino o submete. O roteiro de Andrew Helfer é hábil o bastante para trilharmos esse caminho de escuridão e da loucura bem ao lado desse Homem Morcego iniciante, pelas trevas que fazem o jovem rapaz valorizar as virtudes de ser adulto caso ele sobreviva. Uma pena a arte de Tan Eng Huat não combinar com a qualidade da história, expressiva mas visualmente desagradável em diversos momentos que pedem uma sutileza que o ilustrador não consegue atingir. Nada que atrapalhe o resultado, e as intenções finais deste pequeno, grande história.

Douglas Olive

Cinéfilo formado em publicidade e iniciante com "Os Aristogatas", que assistia 5 vezes por dia na infância, e que agora começa a querer fazer seus próprios filmes. Devo estar indo longe demais.
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