Cinema

Crítica | Na Rota do Inferno

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Filme britânico de 1957, Na Rota do Inferno traz uma história sobre foras da lei, dirigido por Cy Endfield e filmado em preto-e-branco. Seu início se dá com uma cena simbólica e bastante inventiva, ao utilizar a câmera em primeira pessoa, emulando o olhar de alguém ao volante, acompanhada pela música de Huppert Clifford. O filme é conhecido também pelo seu nome original, Hell Drivers, além de ter sido um dos primeiros trabalhos de Sean Connery, na época com apenas 27 anos.

A trama, bastante simples, possui uma premissa esquisitíssima. Uma empresa de transportes possui uma frota de caminhões e seus motoristas são escolhidos por ter nervos de aço, já que eles precisam correr muito com as suas cargas. Isso produz não só a cena inicial, mas também outras tantas cenas de corrida livre pelas estradas com os  caminhões correndo praticamente sem freio. A narrativa segue a vida de Tom Yately, (Stanley Baker) recém-chegado na cooperativa, e que se mostra ser um exímio piloto.

A história também apela para a simplicidade textual ao associar o gosto pela vida radical a bandidos e marginais, como se apreciar alta velocidade fosse algo moralmente errado. O cenário é de foras da lei utilizando esse estilo de vida, e dada a época de 1957 quando foi lançado, ele possui alguma violência, ainda que bastante comedida.

O roteiro lida com questões óbvias, Tom varia entre o anti-herói e o sujeito de bom coração, ainda que seja mal quisto por parte de sua família, cuja índole claramente não é perversa. Da parte de Connery, sua participação é pequena, ele aparece com pouco menos de trinta minutos, e por ter uma biotipo semelhante ao de Baker, boa parte dos materiais de divulgação usavam sua figura nos pôsteres, mudando inclusive a arte a fim de ludibriar possíveis espectadores e compradores, como se o ator escocês tivesse uma participação maior. Ainda assim, Na Rota do Inferno possui cenas de perseguição bem executadas e que serviriam de inspiração para filmes como Faster, Pussycat! Kill! Kill!, Bullit, 60 Segundos e tantos outros filmes sobre super velocidade.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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