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Resenha | Tex Graphic Novel: Drama no Deserto – Volume 3

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A série de Graphic Novels do cowboy Tex Willer segue firme, em Tex Graphic Novel: Drama no Deserto – Volume 3 o roteirista e editor da linha Tex, Mauro Boselli, retorna como foi em Tex Graphic Novel: Frontera! – Volume 2, agora acompanhado do capista de Dylan Dog, Angelo Stano na arte. A história se passa no sudoeste americano, um banco no Novo México é assaltado e a esposa do Xerife é sequestrada. O herói do oeste vai rumo ao resgate dessa moça e dos assaltantes, acompanhado do outro agente da lei.

O cenário do Deserto Pintado é maximizado dentro da proposta da revista em tamanho grande. Os aspecto visuais se tornam deslumbrantes. As montanhas e os canyons formam quadros dignos de gravuras antigas  e o uso das cores aumenta a profundidade  dos ambientes naturais. Além disso, há um cuidado com signos e simbologia, como o uso de corvos para referenciar a morte e de animais peçonhentos referenciando os traidores.

A origem navaja de Tex é bem explorada, desde a questão óbvia de suas vestes que incluem até uma faixa com desenhos tribais, além de outras mais sutis, como a familiaridade com a natureza. O deserto vasto, traiçoeiro, é belo e poético se tornando o túmulo das ideias dos assaltantes, servindo como um pavio curto para os planos desses malfeitores que são obviamente fadados a perecer. Tex não subestima o lugar,  parece conhecedor de lugares como esse e por isso não se permite vangloriar-se em excesso ou ao ponto de se julgar superior a terra.

A história é curta, divertida, direta ao ponto, não possui rodeios e muito menos apego a estereótipos. Os arquétipos são invertidos e corrompidos ao longo das cinquenta páginas e isso garante ao gibi um caráter de ineditismo capaz de surpreender até o leitor mais familiarizado com o heroi de Gianluigi Bonelli. Além disso, o traço de Stano dá uma boa dimensão de qual é o universo estabelecido do defensor da lei, servindo bem não só de expansão das histórias clássicas e atuais, mas também soando atraente aos possíveis novos leitores.

A inversão de expectativas sentimentais acompanhada da tímida manifestação sobrenatural  surpreendem quem não está acostumado ou ambientado com as histórias do ranger, mas a suspensão de descrença é meramente tocada, não há nada com grande alarde. Tex é um mero coadjuvante da uma história que é sobretudo humana, repleta de contradições e intenções torpes da parte dos homens brancos, sendo reverencial aos índios nativos americanos, defendendo eles de maneira bem eloquente, sem parecer didático.


 

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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