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Cinefantasy 2021 | Balanço Geral – Documentários

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Além da mostra de filmes ficcionais, publicada na primeira parte desse dossiê, em Cinefantasy 2021 | Balanço Geral – Longas Ficcionais, o festival também realizou uma curadoria com documentários, alguns bastante inspirados, que lidavam com algo fantástico ou lúdico. Confira a lista.

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A Senhora que Morreu no Trailer (Alberto Camarero e Alberto de Oliveira, 2020)

O filme investiga a história de Georgina, uma mulher artista nascida no sertão baiano, que passou por diversos locais com nomes variados.Na Boca do Lixo usava o nome Diva Rios, nas terras cariocas era Suzy King e no exterior era conhecida como a encantadora de cobras Jacuí Japurá. Ao explorar a sua misteriosa morte em um trailer na fronteira entre Estados Unidos e México, o filme se torna uma ode aos artistas de rua, ao entretenimento marginal e um resgate de uma história pouco conhecida de uma mulher além de seu tempo.

A Vingança de Jairo (Simon Hernandez, 2019)

Documentário divertido a respeito do cinema de Jairo José Pinilla, realizador que nos anos 70 e 80 fazia muitos filmes de cunho fantástico na Colômbia. O documentário causa um desejo enorme de acompanhar a sua filmografia que nem é tão extensa. Jairo é um personagem bastante rico, divertido e prolixo. É um bom resgate e uma ótima introdução ao público que não conhece o cinema dele.

Horror Noire: A Representação Negra no Cinema de Terror (Xavier Burgin, 2019)

Documentário cujo formato tem sido cada vez mais popular no mundo e no Brasil, consistindo basicamente em um estudo sobre algum gênero ou movimento em que se citam filmes pertencentes a esse nicho. Burgin mergulha nas manifestações de atores e artistas pretos no cinema de horror, com foco em Hollywood mas também aborda outros cinemas. Tal qual A Vingança de Jairo, esse também causa uma curiosidade enorme em cada um dos filmes citados e, além disso, o roteiro não apela para panfletarismo barato. Ao contrário, tem uma boa noção do quadro político do mundo. Possivelmente é o mais imperdível entre os filmes do festival.

Morgana (Isabel Peppard e Josie Hess, 2019)

Aborda a história de Morgana Muses, atriz de filmes pornográficos que começou sua carreira aos 50 anos, quando era apenas uma dona de casa. Seus filmes são ligados a um movimento de filmes feministas. O documentário não deixa muito claro como esse nicho funciona, mas há um registro bem detalhado de sua carreira, tanto quanto protagonista como na produção e direção desses filmes. Não fica claro o motivo desse filme estar no Cinefantasy, afinal, não há nada de fantástico nele.

Narrativas do Pós (Graubi Garcia e Jairo Neto, 2020)

Filme brasileiro, usa a ficção científica no cinema e literatura para explicar o mundo pós-Covid e a bizarra situação política brasileira. A edição é dinâmica e por mais que o conteúdo do documentário de Garcia e Neto seja pesado, assisti-lo é divertido, especialmente por perceber que o negacionismo tão em voga na política bolsonarista ou trumpista, já foi tão profetizado por Isaac Asimov, Ray Bradbury, Arthur C. Clarke e demais criadores de histórias sci fi. Esses autores, por mais otimistas que fossem suas obras, dão declarações bem contundentes a respeito do "mundo real", e isso é bem registrado aqui.

O Alvorecer de Kaiju Ega (Jonathan Bellés, 2019)

Documentário breve e pontual sobre o fenômeno dos filmes de monstros gigantes, os Kaijus. Investiga  o fenômeno no Japão, como ele influenciou o resto do mundo e os impactos até hoje dentro da cultura pop. Em tempos de Godzilla vs Kong, o filme é ainda mais salutar, até mesmo por conta das conclusões sobre política que ele aborda.

O Psicopata, Crônica de um Caso Não Solucionado (Estefanie Céspedes, 2019)

A história  é bastante curiosa, Céspedes, o diretor, investiga a origem do primeiro serial killer registrado na história da Costa Rica, que agiu entre 1985 e 1995 e deixou quase 20 vítimas, ao menos entre as que se comprovou sua participação. A maior curiosidade do filme está no fato da identidade do bandido não ter sido descoberta até a atualidade. O filme não possui muita fluidez ou cadência, é preso demais a formula de entrevistas e opiniões puras e simples.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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