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Crítica | Animatrix

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Crítica Animatrix

Após o sucesso de Matrix muito se produziu a respeito desse universo. O longa cooperativo Animatrix certamente foi a mais acertada dessas empreitadas e gerou uma certa unanimidade entre os aficionados pela obra das irmãs Wachowski. A produção reúne nove histórias curtas conduzidas por mestres da animação japonesa, segmento que inspirou demais o roteiro e abordagem visual vista do filme de 1999.

O Voo Final de Osíris, começa com uma batalha de espadas simulada entre um casal que tripulam a nave Osíris. O segmento eleva o conceito da Mulher de Vermelho para algo além. Se no filme das Wachowski o personagem Mouse fantasiava com sua criação, aqui há um paralelo com o sexo já na introdução, com os personagens usando suas lâminas para simular um combate, mas também para tirar a roupa um do outro, mostrando que a liberação da libido é um elemento fundamental nessa saga.

A ação  não demora a ocorrer, com um ataque de Sentinelas a Zion e a animação em 3D funciona à perfeição, ao contrário de Matrix Reloaded, méritos claros a Andrew R. Jones que trouxe a equipe responsável pelo filme  Final Fantasy, e conseguiu mostrar suas qualidades — anos depois ele ganharia o Oscar de efeitos visuais por Avatar e Mogli: O Menino Lobo.

As acrobacias, violência e a ideia da rivalidade entre homem e máquina ganham muito sentido aqui, e esse é sem dúvida o modo ideal de explorar o universo de Matrix. As histórias curtas e com personagens que não estão nos filmes dá a dimensão de como esse mundo é único.

Outro bom segmento é O Segundo Renascer. Seu início é psicodélico, abusando de cores gritantes para mostrar o começo dos conflitos dos autômatos com a humanidade. Retirado dos arquivos de Zion, se nota que a revolta dos mecânicos se deu por conta da escravidão. Questões como segregação são levantadas e mostradas de maneira simples e sem rodeios.

O curta, dirigido por Mahiro Maeda, conhecido por Blue Submarine Nº. 6 tem bons elementos de ficção científica, fazendo alusões a conceitos de Isaac Asimov, ainda que referencie a revolta das máquinas, algo que o autor de Fundação não gostava de abordar, mas aqui além de ser palatável ao grande público, ainda evita arquétipos bobos ou maniqueístas.

Há elementos de temática samurai no segmento Era Uma Vez um Garoto, de Shinichiro Watanabe, e O Robô Sensível, de Peter Chung. Cada um deles se dedica a desmistificar o universo de Matrix, tornando-o menos pueril, mostrando que na briga entre humanidade e máquinas, não há apenas um lado certo, e sim uma complexa e intensa relação problemática.

Animatrix expande o universo e gera boas discussões. Um bom exercício imaginativo e especulativo, e poderia ser repetido mais vezes, de maneira estendida como há muitos anos se promete.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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