Cinema

Crítica | King Kong vs. Godzilla (1962)

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A fórmula dos filmes da franquia Godzilla é bem simples: o animal dantesco é mostrado atacando algum lugar civilizado ou lutando contra outra figura monstruosa capaz de destruir a humanidade. Foi assim em Godzilla de 1954, e em sua continuação Godzilla Contra-Ataca, já no terceiro filme (a primeira produção colorida) dos estúdios Toho, King Kong vs. Godzilla, a fórmula permanece, mas o adversário da vez é Kong, que não aparecia nos cinemas desde a produção original nos anos 30g.

A trama humana é completamente despropositada, entediante em essência, e o que realmente importa é o choque entre titãs e isso é inclusive falado dentro do filme de Ishirō Honda. O artifício para trazer Godzilla de volta à vida é ridículo, tão mal executado quanto os pretextos para que Jason Vorhees voltasse nas sequências de Sexta-Feira 13. Além disso, o acréscimo de Kong também é repleto de problemas.

Honda faz a história rumar para a Ilha da Caveira e coloca o elenco japonês praticando black face para imitar os nativos. Ao menos, as cenas com os monstros são criativas, há um bom uso de maquetes, miniaturas e até animais. No entanto, a maioria dos momentos parece feita para causar humor, causando risos involuntários até mesmo no lançamento do filme em 1962.

O grande problema do roteiro são as conveniências e incongruências. No caso de Godzilla Contra-Ataca, o enfrentamento contra Anguirus se dá de modo natural, pois a mesma bomba de hidrogênio despertou os dois monstros. A desculpa para ir atrás de Kong mira publicidade, já que uma empresa farmacêutica resolve ir atrás dele para fazer propaganda de seus produtos (?!), competindo assim com o retorno do lagarto gigante. Confrontos entre heróis normalmente tem justificativas tolas, mas esta aqui abre mão demais da suspensão de descrença do espectador.

Os bonecos são terríveis e a briga entre os monstros não funciona visualmente, muito menos do ponto de vista narrativo. O roteiro não tem qualquer desenvolvimento de temas ou reflexão, como não entrega uma narrativa minimamente crível desse encontro de titãs. A luta final parece uma brincadeira de criança, onde quem comandou os brinquedos está cansado e quer resolver logo o conflito. King Kong vs. Godzilla é tão mal pensado que se torna um clássico do trash, embora obviamente fosse pensado para ser uma obra mais séria.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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