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Resenha | Capitão Feio: Tormenta

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Iniciativa da Graphic MSP, Capitão Feio: Tormenta é baseado na persona de um dos vilões da turma do bairro do Limoeiro, o sujeito que vive sujo e nos esgotos da cidade onde Mônica, Cascão, Cebolinha e Magali vivem. Essa é a segunda história roteirizada e desenhada por Magno e Marcelo Costa, continuação direta de Capitão Feio: Identidade, e seu tom é bem semelhante aos comics de super-heróis dos Estados Unidos.

A história é bem simples e curta. Mostra o personagem principal tentando viver sua vida normalmente, sendo interrompido por um vilão, chamado Cumulus, o homem nuvem, que propõe a ele uma união contra as forças do bem, e ao ser contrariado, ataca Feio e seus capangas, as criaturas de sujeira que moram com ele nos esgotos. Além desse personagem, há também a participação das gêmeas Clotilde e Cremilda, em versões bem diferentes dos gibis antigos de Mauricio de Sousa, além de Olimpo.

A obra possui cores bem características e vibrantes, assinadas por Mariana Calil auxiliada por Rod Fernandes. A história diverte, ainda que emule o mais do mesmo das histórias clássicas das editoras DC e Marvel os autores abrem mão dos maniqueísmo típico dessas histórias. A trama ainda termina cheia de ganchos, como a anterior, atrelando o passado do protagonista a outro personagem antigo de Mauricio, associação essa até bem óbvia se analisar o visual dos dois.

Há breves aparições de Cebolinha e Cascão, em atenção ao fato de Feio ter aparecido primeiro nas revistas deles. Magno faz questão de atrelar essa história aos quadrinhos do Astronauta de Danilo Beyruth, aumentando a sensação clara de que esse é um universo compartilhado, onde pelo menos as histórias mais adultas se passam na mesma linha do tempo.

Capitão Feio: Tormenta é violento, mistura bem momentos típicos de series policiais e clichês de super-heróis como experiências cientificas que produzem poderes nas pessoas. O personagem varia bem entre o anti-herói e o herói falido, tem uma índole que desafia os conceitos de maniqueísmo que povoam os gibis de herói e vilão, e mesmo simples, mostra uma história com todos os elementos que normalmente estão presentes nas histórias clássicas de Batman, Superman, Homem-Aranha e outros personagens de franquias famosas e rentáveis, em tons diferentes e igualmente exitosos as fórmulas vistas nas historinhas mais infantis da linha Graphic MSP.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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