Cinema

Crítica | Boa Noite

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Clarice Saliby começa seu longa, Boa Noite, colocando Cid Moreira, seu objeto de analise, diante de um desafio que se mostra complexo: configurar a inteligência artificial de um celular para compreendê-lo. Cid tenta conversar com a Siri, a assistente inteligente da Apple. Sem sucesso, o jornalista e principal voz do Jornal Nacional tenta abrir sua vida e intimidade para a câmera, finalmente deixando de noticiar ou narrar os acontecimentos para  se tornar o alvo, tornar-se a própria notícia.

O biografado é lúcido. Entre os VTs de seus trabalhos de narrador e âncora, mostra as agendas que guardou consigo. Cadernos antigos que davam conta de sua rotina, desde o simples dia a dia com a dieta que pratica, até detalhes diferentes como a frequência de idas ao banheiro. Além do básico, destacando os trabalhos que fez e que ainda faz. Ele narra bem seus dias, desde quando veio do interior paulista de Taubaté até os dias atuais, mais aposentado do que ativo.

O filme é simples e se vale da boa participação de seu personagem central com a narrativa de sua trajetória, desde os jornais cinematográficos, no especial de esportes que passava na grande tela (o Canal 100  que reunia o tape de esportes populares), até a chegada da televisão com o trabalho na Tv Excelsior e, finalmente,  no Jornal Nacional da Tv Globo em que esteve por  27 anos, entrando para o livro dos Recordes como o mais longevo apresentador de um mesmo jornal diário.

Boa Noite é emocional, se aventura a falar de questões mais polêmicas, como quando Cid se declara sem lado político, mas não se aprofunda. Como ele próprio, que se diz um mero propagador de palavras escritas por terceiros, o documentário parece apenas apresentar sua trajetória. A obra se torna um louvor a vida, a carreira e a rotina atual de um sujeito midiático que fez parte da maneira como a notícia chegava a casa das pessoas, sobretudo as mais populares do Brasil. Mesmo sem maiores aprofundamentos consegue trazer uma aura simpática ao comunicador veterano, dando lastro até para um possível novo documentário sobre o príncipe dos mistérios, o Mister M, mágico famoso no Brasil pela narração de Cid no Fantástico.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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