Cinema

Crítica | Glória à Rainha

Compartilhar

Glória à Rainha é um documentário divertido e propositivo que conta a historia de quatro mulheres enxadristas da União Soviética que se tornaram símbolos de luta em uma época em que os papéis de destaque recaiam apenas sobre os homens, mesmo em um local conhecido por ser governado por um regime de esquerda. O filme de Tatia Skhirtladze é parte da mostra internacional do festival É Tudo Verdade.

As personagens do filme são Nona Gaprindashvili, Nana Alexandria, Maia Chiburdanidze e Nana Ioseliani. O documentário acompanha um pouco do dia a dia delas, todas já na meia idade entre os 50 e 70 anos. O resgate da historia e a intimidade de cada uma dá um pouco da dimensão de como ocorreu, não só a carreira desportiva delas, mas também o pós dissolução da URSS.

A narração do filme é bem utilizada quando o conteúdo é composto de imagens de arquivo. Enquanto nos momentos mais naturalistas (cenas mais atuais), são as próprias mulheres que conduzem além de outras pessoas envolvidas ou aqueles que possuem nomes em homenagem as enxadristas. Algumas delas também se lançaram no ofício de enxadristas, provando a influência do quarteto na cultura e no esporte em cada uma das repúblicas do antigo país comunista.

Mesmo sem gastar tempo abordando a política da época, o filme acaba traçando um bom cenário de como era importante para os governos socialistas o investimento em práticas esportivas diversas, sejam elas de equipe ou individuais. Para o aficionado em Xadrez, o documentário é bem interessante, pois estabelece não só o contato com torneios importantes do passado, mas também detalha eventos que poderiam passar despercebidos por aqueles que não compreendem o jogo com profundida. São aproximadamente 18 trilhões de movimentos possíveis em uma partida e cada mulher pode perder meio quilo em uma partida dada a tensão do jogo. Dentro do filme até se lamenta que hajam poucas mulheres enxadristas no território da Rússia e nos demais vizinhos que formaram a União Soviética, o que, evidentemente, é uma pena, já que a historia das biografadas é rica.

Glória à Rainha tem uma fórmula levemente diferente do que se vê normalmente em documentários norte-americanos ou  brasileiros. Há um modo mais frio de conduzir a narrativa por questões culturais mas, mesmo dentro dessa mentalidade, se percebe um apreço caloroso pelas quatro atletas, que entre rivalidades e disputas seguem como embaixadoras de uma prática esportiva rica e popular entre muitas pessoas.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
Veja mais posts do Filipe
Compartilhar